Relacionamentos

No início a Terra estava inerte e vazia.

Fez-se o verbo e tudo começou a se manifestar, a se materializar…

Os relacionamentos passaram a ocorrer, complementados pela expressão do verbo, e com isto, passou a ocorrer também dentro das mentes, de forma diferente de interpretação de quem expressa e de quem interpreta… em histórias paralelas… perpendiculares, transversais…?

…Mas tinha a feição e os gestos, a postura, o toque, o olhar e a espontaneidade… pra complementar a expressão…

Daí, também surgiram os ‘interpretadores – de fora do assunto’ colocando em suas especialidades algumas… ‘tais de técnicas’ para definir padrões e ajudar as pessoas a se relacionarem dentro de um limite aceitável culturalmente para a sociedade em questão.

Graças, surgiu a comunicação virtual e os relacionamentos ficaram mais simples e imediatos, não digo espontâneos, digo imediatos…

Onde as conquistas não exigem que estejamos em cima de um salto ou de batom, de banho tomado e sem olheiras, ou ainda que tenhamos que freqüentar uma academia pra manter o corpinho dos 26 da foto aos 42, ou ainda pentear os cabelos, se é que os temos.

Somos os Avatares de nosso próprio enredo, nosso próprio Super-herói! Criamos e alimentamos tantos personagens que nos alimentam no mundo virtual… Bela troca!

…Com flores chapadas, fofocas atuais e mensagens grafadas no novo idioma de gírias e símbolos, ou simples scraps que pulsam como os outdoors que tiveram sua poluição visual proibida nas ruas desta capital!

Nossa comunidade não é mais o pessoal da rua, da faculdade, da igreja ou do clube… é, agora o Orkut, o Facebook, o Twitter, os Blogs…

Nossos amigos são todos personagens, com suas fotos retocadas e suas intrincadas redes de tantos outros amigos, amigos?… Opaaaa… nem tanto assim…

Tudo poderia ser perfeito se os amigos dos nossos amigos fossem nossos amigos e vivêssemos felizes para sempre na volta à essência, ao UM. E ainda, aplicássemos a conexão da sintonia na conexão virtual… Lindo!

…Mas… há o que julgar do amigo do amigo, o que alfinetar nas entrelinhas que manda recados pelas ‘mulas’ que carregam o que não devem e também dos ‘pombos correios’ falidos e invejosos.

Já vi grandes amizades iniciarem na rede, não a de barbante, que eu tanto gosto…

Tenho amigos que se conheceram virtualmente e se casaram. Já vi amores e brigas pela net, risos e choros, começos e fins, sonhos e pesadelos, elogios e pichações, anjos caídos e demônios alados, perfis travestidos desmascarados pelo IP, cantadas e assédios e até ciúmes e traição… tudo virtual… e sem virtudes…

Sem contar no correio da má notícia e no ‘send e pronto, tá resolvido e ao invés do ponto, joga-se a m… no ventilador pra ficar registrado o surto’.
Quem nunca recebeu um mega e-mail, de alguém ‘p’ da vida sem coragem de dizer o que pensa na cara? Normalmente escrito com o mesmo equilíbrio emocional que é próprio dessa pessoa no real… sem pontuação, escrito por quem deve ter fugido da escola e digita com dois ou quatro dedos olhando pro teclado e nem imagina que tem alguns ‘finesses’ ou modos a serem utilizadas no mundinho virtual, como por exemplo não colocar letras maiúsculas se você não quer gritar…

Pessoas assim cospem palavras e nem as lê antes de apertar o send.

…E podíamos estar meditando, ou lendo um bom livro em papel na rede da varanda, caminhando ao ar livre, ouvindo música, beijando na boca, fazendo amor… Qualquer coisa, menos perdendo tempo e alimentando ainda mais a ilusão virtual, que alimenta a ilusão da matéria, que alimenta a ilusão da ilusão…

Trato este canal, o ‘Blog’, não como um diário virtual, para isto, teria eu preferido o Twitter, mas como uma forma de livro, que está se compondo com textos escritos desde os 14 anos de idade, com poemas de diversas épocas de minha vida, colocados aqui sem uma sequência lógica/cronológica.

Uma boa parte dos amigos que passam por aqui, eu os conheço pessoalmente, (como nos relacionamentos tradicionais), vários de convivência atual, tem até gente da minha infância passeando por aqui e isso me deixa muito feliz.

Ganhei leitores como qualquer escritor que tem a grandeza de editar livros (em papel) os ganha, e alguns se manifestaram… Eu os agradeço! É bom saber que as pessoas lêem e voltam pra ler mais! E que algumas se tornam mais próximas e trocam idéias sobre o que entenderam ou sentiram quando nos ‘ouviram’.

É bom também saber que outras pessoas ao lerem, podem sentir o que sentimos ao escrever, afinal, assim como a música, as obras de arte, as poesias também espelham as mil faces secretas do autor.

Com tudo isto, respeito muito meus amigos e leitores!

Quanto aos que usam as ferramentas da era da globalização pra gerar mais ilusão ou manipular a ilusão existente, desejo sinceramente que despertem!!!
Tudo isso é pra mim, muito fora do que entendo por realidade ou por ‘consciência’!

Então chamo a isso de Peia* Virtual!

*Peia – é um termo utilizado pela comunidade que pratica a expansão de consciência, e que se refere a não entrega ao processo, gerando uma tentativa inválida de experienciar algo divino em prol da mente que não cala.

Sophia Christou

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