O Elo Perdido

Refletindo sobre registros e história.

Antigamente as informações eram registradas em poucos símbolos, hieróglifos, que expressavam muito conteúdo, eles permaneceram por muito tempo, além do tempo e das intempéries, além dos costumes e das culturas, e da passagem de diferentes povos registrando a história até os dias de hoje. Muitos, entalhados em relevo nos rochedos – petroglifos, alguns com milhões de anos. Porém esse tipo de comunicação escrita tinha um alcance mínimo, na verdade as pessoas que a alcançavam, indo até o local onde estavam. Podemos dizer que a informação registrada, nesse caso tem enorme durabilidade e mínimo alcance.

Os templos egípcios são livros que guardam os registros ali inseridos até os dias de hoje, como numa biblioteca a céu aberto às margens do Rio Nilo.  

O tempo foi passando e a necessidade da informação ir ao encontro das pessoas foi se fazendo necessária, os registros deixaram de estar encravados em rochas para serem esculpidos em blocos de pedra. Aumentando o alcance da informação, e sem dúvida diminuindo muito, sua durabilidade, com o risco muito maior desses blocos se perderem ou se quebrarem. Podemos considerar também a dificuldade de transportá-los.

A necessidade foi se alterando e os papiros foram criados, facilitando muito o transporte da informação, com isso a durabilidade dos registros diminuiu em maiores proporções. Ainda encontramos registros nestas bases, com mais de 5 mil anos, que podem ser interpretados pelos símbolos mais detalhados que contam a história.

Com a leveza dos papiros a informação podia ser mais abrangente, porém muita coisa era mais facilmente perdida e vulnerável às intempéries.

Com a utilização de papel temos a informação armazenada em livros, com muitas folhas, compostos por muitas frases, e, por conseguinte, muitas palavras e letras que as compõe, para detalhar e descrever exatamente o que se quer registrar… sentimentos, imagens que são formadas na cabeça de quem lê como se fossem fotos… toda uma cena.

O papel é tão mais leve e sua abrangência possibilita maior amplitude, mas é tão mais vulnerável… Chegou-se ao ponto de se negar acontecimentos! Em montes de livros queimados em fogueiras para que uma nova história pudesse ser escrita e uma nova ‘verdade’ pudesse emergir.

Com a imprensa e a facilidade de expandir um registro para outros idiomas a informação ganhou maior disseminação e possibilitou uma maior durabilidade pela repetição da mesma em número de cópias.

Nessa época, também os desenhos estavam deixando de ser gravuras e pinturas, depois da evolução de simples desenhos, para retratarem os fatos, em fotos.

No início da era da informatização (tornar virtual a informação), passamos a guardar informações em disquetes que eram bem maiores que esses que ainda vemos, eles foram diminuindo de tamanho e a sua capacidade de armazenamento aumentando, chegamos ao pen-drive. A troca de informações foi aquecida. Assim muitas informações foram guardadas precisando de todo um aparato para que fossem acessadas, e esses aparatos foram sendo substituídos por outros e outros, numa velocidade enorme. Informações que foram guardadas em um disquete 5 e ¼, há 20 anos atrás, por exemplo, não pôde mais ser recuperada, pois não disponibilizamos de equipamentos ou linguagens que possam lê-los ou interpretá-los.

 

 

Com a globalização e a Internet as fronteiras para comunicação foram deixando de existir, com isso as informações não têm limites para propagação, no entanto os registros são feitos de forma virtual e sua volatilidade os mantém sempre atualizados. Deixamos de ter o histórico. Armazenamos documentos, imagens, fotos, filmes, sons, a nossa história toda de forma virtual.

“A humanidade partiu do extremo de ir até a informação armazenada em rochedos e que estão disponíveis até os dias de hoje para o extremo da disponibilização imediata de toda a informação atualizada on line e nenhum registro físico para guardar nossa história.”

Vivemos a cada dia mais no presente, fazemos de nossa história ‘o agora’. Hoje, se nosso planeta sofresse um incidente cósmico, provavelmente os registros que com certeza encontraríamos após o incidente seriam os petroglifos contando a história de milhões de anos atrás e estaríamos diante de mais um Elo Perdido.

Por Marcia Agame

 

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4 Comentários

  1. Igor said,

    Querida Sophia
    Parabéns pela eloquência com que vc. disserta sobre este assunto tão interessante que é a comunicação humana. Quando no Egito me perguntei sobre a necessidade dos antigos em comunicar para a eternidade. O certo é que eles nos legaram uma gigantesca biblioteca que deve ser lida não somente nos hieróglifos, mas também na própria arquitetura dos templos e monumentos. Foi uma cultura fascinante pela sua vontade de se comunicar com os deuses e pela perfeição com que fizeram isto.
    Hoje não sabemos exatamente para que nos comunicamos. As vezes me acho entupido de informação e sem tempo ou condições de filtrar tudo.O desafio é transformar esta profusão de informações efêmeras em algo útil e duradouro para nossas vidas.

    Bjos

    Igor

  2. conscienciaempoesia said,

    Olá Igor, bem vindo por aqui e bem vindo de volta ao Brasil!

    O Egito é mesmo fascinante, um dos lugares mais intrigantes que visitei…

    A energia, além da informação visual com que está impregnado é algo verdadeiramente mágico.

    O que sei te dizer é que além das fotos que trouxe de lá como informação para a minha biblioteca rsssss, foi tudo o que acessei daquele local!

    Fiz uma pequena meditação dentro da pirâmide de Queóps, e zerar a mente ali, sem se incomodar com os transeuntes, ‘filtando o ruído’ é simplesmente maravilhoso e fica registrado de uma outra forma dentro de nós…

    Beijo grande,
    Apareça sempre!

    Sophia Christou

  3. luiz cláudio said,

    SOPHIA, SOU UM PETROGLIFEIRO – DEIXO AO MUNDO UM TANTO DE PETRÓGLIFOS – SEM DATA E ASSINATURA. UM PRESENTE PARA A HUMANIDADE. GARANTIA DE EMPREGOS PARA DAQUI A 400 ANOS.
    IZIO ENCO – ENTRE NO YOUTUBE E USE IZIO ENCO COMO PALAVRA CHAVE – ACHO QUE VIA GOSTAR DOS PETRÓGLIFOS;

    • conscienciaempoesia said,

      Muito bom e de bom gosto… lugares maravilhosos, obras-primas lindíssimas e as músicas também muito bem escolhidas.Gostei!

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